Categorias
Na Imprensa

Nas favelas, 26% da população tem contas em atraso

X232F7E10062D4812AD6C90BB5CBC5A75

Publicado no Estadão

Número é bem superior ao das famílias de renda mais alta; para moradores, inflação tem dificultado a vida financeira

Márcia De Chiara
Elder Ogliari
Tiago Décimo

O aumento da inflação, especialmente de alimentos, e o menor ritmo de crescimento da economia, que deve avançar menos de 1% neste ano, pegaram em cheio os brasileiros de menor renda que vivem em favelas. Para 70% deles, está mais difícil pagar as contas este ano. Em 2013, 62% viam dificuldades para saldar os compromissos, segundo o instituto Data Favela. Pelo segundo ano, o instituto consultou 2 mil pessoas que vivem em 63 favelas do País para traçar o perfil econômico desses brasileiros.

“A minha situação financeira está muito mais difícil hoje do que seis meses atrás”, afirma a recepcionista Fiama Nascimento Barros, de 22 anos, que mora e trabalha em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, a segunda maior favela da cidade. Ela acaba de adiar a data de casamento por questões financeiras. Com renda de mensal de R$ 1 mil, tem mês em que as suas despesas passam de R$ 1,5 mil e ela precisa da ajuda da mãe, que vive em Pernambuco, para quitar os compromissos.

Mas, seis meses atrás, quando Fiama ficou desempregada e não conseguiu se recolocar, o resultado foi desastroso: o seu nome foi parar na lista de inadimplentes. Ela conta que tinha um pacote de internet para celular que lhe custava R$ 59 por mês. Sem o emprego no hotel onde estagiava, deixou de pagar a mensalidade e a dívida virou R$ 389. “Consegui renegociar. Falei que não tinha orçamento para isso e reduziram o meu débito para R$ 300, que vou pagar em três vezes”, conta.

Assim como Fiama, hoje, um pouco mais de um quarto (26%) dos moradores de favelas tem contas em atraso e 23% já se tornaram inadimplentes. Os resultados da pesquisa da inadimplência dessa população, que pela primeira vez foram apontados na pesquisa do Data Favela, são muito superiores aos níveis de calote dos estratos de maior renda. Famílias com renda mensal de até R$ 7.240, por exemplo, registraram calote de 16,9% em junho, segundo a Federação do Comércio do Estado de São Paulo.

“Um quarto da população com contas em atraso é muita gente”, afirma Renato Meirelles, fundador do Data Favela e responsável pela pesquisa. Para ele, boa parte do elevado índice de devedores é resultado do aumento da inflação, especialmente de alimentos, que pesa mais no bolso dos mais pobres. Mas eles sabem se defender.

Prova disso é que 81% dos entrevistados declararam que estão pesquisando mais antes de comprar e 44% diminuíram a quantidade de produtos. “A minha mãe é uma verdadeira economista”, diz Rafael Rodrigues dos Santos, de 25 anos, professor de dança, que também vive em Paraisópolis. Segundo ele, sua mãe, que trabalha como empregada doméstica, está pesquisando muito mais. “Agora estamos indo em supermercados de bairro, porque em supermercado grande a gente gasta bem mais: vai pegando tudo e quando vê o carrinho está cheio.”

Apesar de não ter dívidas, Santos concorda com Fiama e acha que nos últimos tempos a situação financeira ficou mais difícil. Ele acredita que a inflação em alta é a responsável pela piora do quadro.

Diferenças. Apesar de a vida financeira dos moradores das favelas brasileiras ter se tornado mais difícil, a pesquisa mostra que existem diferenças significativas de renda média do trabalho entre as várias comunidades do País.

Num ranking dos dez Estados nos quais foi avaliada a renda média mensal do trabalho da população que vive nas favelas, o Rio Grande do Sul encabeça a lista. Nas favelas gaúchas, a renda média do trabalhador com mais de 18 anos é de R$ 1.228, quase 30% superior à média das favelas do País, que é de R$ 965, um terço maior do que o salário mínimo.

Na segunda posição desse ranking está o Rio de Janeiro, com R$1.155, seguida por São Paulo, com R$ 1.115. Já as últimas posições dessa lista são ocupadas pelas favelas do Ceará (R$ 870) e da Bahia (R$ 808), as mais pobres.

XADCF6658DE2D48B5A9F824F2CB55BF1A
Na avaliação de Meirelles, a diferenciação que existe entre a renda média obtida com o trabalho dos moradores de favelas em vários Estados brasileiros reflete o desempenho da economia local. “No Rio de Janeiro, por exemplo, as favelas ficam próximas da zona sul, a região de maior renda da cidade. Com isso, a população das favelas consegue emprego na vizinhança com salários melhores em relação a favelas de outros Estados.”

Outra razão para essa diferenciação da renda média do trabalho entre as favelas brasileiras é o impacto do salário mínimo, segundo a economista Lúcia Garcia, coordenadora de pesquisa de rendimento e trabalho do Dieese. O Rio Grande do Sul tem o segundo maior piso salarial regional do País, com faixas que vão de R$ 868 a R$ 1,1 mil mensais, atrás apenas do Paraná, onde o valor varia de R$ 948 a R$ 1.098. Na avaliação da economista, isso acaba se refletindo na renda de quem vive nas favelas e trabalha em áreas como serviços gerais, domésticos e construção civil, entre outras.

Leia a matéria completa aqui

Categorias
Na Imprensa

De sangue, adotiva ou consideração, não importa, elas são simplesmente MÃES

Publicado no Jornal Espaço do Povo 32
jornal_parcial_joildo-maes

Por Keli Gois

Com o passar dos anos, as famílias brasileiras passaram a ser constituídas de diferentes formas, o que há em comum na maioria delas é a presença das mães, guerreiras que dão a vida e o sangue para garantir a educação e a felicidade dos filhos.

Maria Zenaide do Amaral, 64, é um exemplo típico de mãe guerreira. Moradora de Paraisópolis há mais de 40 anos, criou seis filhos biológicos e mais dois adotivos, e hoje tem 15 netos e um bisneto. Com todos os filhos criados, ela se orgulha e não se arrepende de nada. “Eu sempre encarei a vida com muita garra. Quero que meus filhos procurem dar o melhor para seus filhos, pois eu procurei dar o melhor de mim a eles”, afirmou.

Ela conta que pouco tempo depois do nascimento da primeira filha, sua mãe faleceu. Nessa época enfrentou várias dificuldades, mas nunca desistiu. “Quando perdi minha mãe fiquei criando minha filha sozinha, mas eu não esquentei com as dificuldades da vida, eu sempre as enfrentei trabalhando”, relembrou.

O que ela não sabia é que com seis filhos pequenos para criar, algo aconteceria e mudaria sua vida. O destino lhe reservava uma grande surpresa e lhe traria dois grandes amores. O irmão havia sido preso e lhe pedira ajuda para criar a criança que ainda estava a caminho, mas, para sua surpresa eram gêmeos. “Quando cheguei ao hospital logo perguntei: “Nasceu o menino? E o médico falou: Não! É uma menina! Então eu disse: “Vai se chamar Cláudia Aparecida”, e o médico então me perguntou: ” E o que nós faremos com o menino?”. Fiquei perdida e não sabia o que fazer.

Ela adotou as crianças e desde então dedicou sua vida aos oito filhos, que ela criou com muito amor, carinho e respeito. “Minha mãe não me dava carinho e atenção. Quando eu comecei a ter os meus filhos eu jurei para mim mesma que poderia ter quantos filhos quisesse, mas eles estariam sempre na barra da minha saia. Por mais trabalho que eles me derem, vou sempre manter a minha responsabilidade de mulher”, contou.

Além de ser uma excelente mãe, cumpriu e cumpre até hoje o papel de pai. Se orgulha de tudo o que fez para criar os filhos, tendo como pilar o amor, o companheirismo e o respeito à família e ao próximo “Sempre na minha casa ensinei um a respeitar o outro. Respeitar e não mentir foram duas coisas que meu pai [avô] sempre me ensinou a fazer. Eu agradeço muito a Deus pelos filhos que tenho”.

Zenaide afirma que, na medida do possível, sempre procurou educar os filhos da melhor forma. “Tem mãe que é mãe com um “M” bem grandão, eu acho que é como eu fui. Mãe ideal é uma mãe que se preocupa com os filhos, que está sempre presente, mesmo que seja no pensamento”, concluiu.

Aulerina Soares Santos, 51, sabe muito bem as dificuldades de uma criança que não tem uma mãe presente. Seu neto de apenas quatro anos sofre rejeição da mãe, que optou por não criá-lo. Com o filho preso, ela acabou tornando-se responsável pela criação do neto, que hoje é o seu maior tesouro.

Mãe de seis filhos, Aulerina sempre lutou e trabalhou como diarista para conseguir garantir o sustento dos filhos, luta essa que ela tem até hoje com o neto que ela faz questão de chamar de filho. “Ele me chama de mãe e me protege. E ai de alguém se falar que eu não sou mãe. Mãe é aquela que dá carinho, amor e atenção, desabafou.

Hoje, sua maior luta é conseguir a guarda definitiva do neto “Tenho muita fé em Deus que ficará tudo bem e meu filho poderá criar seu filho”. Ela relembra que trouxe o neto para Paraisópolis há cerca de um ano. A mãe, segundo ela, não fazia questão de cuidar do menino. “Quando eu o busquei, ele se transformou em outra criança. Foi a minha maior alegria, temos uma sintonia diferente que não dá para explicar”, concluiu.

Como muitas outras mães guerreiras de Paraisópolis, Cláudia Regina Di Silvério, 42, é um exemplo de coragem e perseverança. Mãe de cinco filhos, sendo um deles adotivo, já passou por muitas dificuldades, mas o desejo de criar e educar os filhos foi o que nunca a deixou desistir.

Criada pelo pai e pela madrasta, ela soube desde pequena o quanto é difícil crescer sem a presença de uma mãe para auxiliá-la nos momentos mais difíceis. “Meu pai era empresário. Eu sempre tive uma vida financeira muito boa, mas quando a minha mãe me teve, ela me deixou no hospital, pois minha avó não a aceitava”, revelou.

Aos 15 anos saiu de casa para viver em São Paulo com o companheiro. Casou-se, teve o seu primeiro filho e tornou-se uma empresária de sucesso no ramo alimentício, quando teve a oportunidade de adotar uma criança, que tornou-se seu segundo filho.

Anos depois, ao separar-se do marido, teve que deixar tudo o que havia conquistado e recomeçar a vida em Paraisópolis. Sem contar com pensão alimentícia ou qualquer apoio financeiro, Cláudia sempre enfrentou e enfrenta até hoje verdadeiros desafios. Para sustentar os filhos ela faz de tudo: vende iogurtes e também faz chocolate para vender, e quando aparece algum “bico” não tem tempo ruim. “Nunca ganhei pensão de nenhum dos meus maridos. Nunca fui atrás disso, sempre trabalhava para sustentar meus filhos com o meu suor”, se orgulhou ela.

Com alguns anos vivendo na comunidade, Cláudia sofreu uma grande decepção. Seu filho mais velho havia envolvido-se com o crime e suicidou-se, fato que ela não entende até hoje. “Ele chegou aqui com 11 anos. Começou a ir para a escola, depois ia para a casa de um amigo, para uma balada, e assim foi. Quando eu percebi, ele já estava envolvido com o tráfico e eu perdi o domínio”, desabafou.

Sua maior decepção serve hoje como exemplo para os outros filhos. Ela faz questão de alertá-los sobre a importância de serem honestos consigo mesmos e com o próximo. “Meus filhos são a minha maior motivação. Sempre os ensinei a lutar, a serem honestos e persistentes”, afirmou.

O reflexo de sua infância foi o que a fez ser a melhor mãe para os filhos, passando lições de amor ao próximo, respeito, carinho e compreensão. “Pode-se dizer que eu sou uma mãe e um pai. Sempre estou ao lado dos meus filhos. Ensino sempre o respeito, para que eles não façam com os outros o que não querem para eles”, finalizou.

Avó-mãe, mãe-mãe, mãe adotiva, mãe-pai, mãe de criação ou consideração, não importa, elas são simplesmente mães. Em uma data tão especial o Jornal Espaço do Povo parabeniza todas essas guerreiras, que deram a vida por seus filhos, tornando-os grandes homens e mulheres.

Categorias
Na Imprensa Saúde

Cansados de descaso, moradores cobram hospital em ‪Paraisópolis‬

Categorias
Cidadania Na Imprensa

Adeus Louro! Conheça um pouco da trajetória de um homem que representa muito para Paraisópolis

Publicado no Jornal Espaço do Povo 31 – Abril 2014

Captura de Tela 2014-04-23 às 19.07.04

Por Keli Gois e Francisca Rodrigues / Agência Paraisópolis

Honesto, generoso e bondoso, estes são os adjetivos que resumem a trajetória de um homem que representa muito para Paraisópolis

Quem não conheceu Lourival Clemente da Silva? O “Louro”, aquele do Mercado do Louro, um dos primeiros comércios de Paraisópolis. Mesmo aqueles moradores mais recentes têm ouvido falar desse homem que ajudou muita gente. Na história de Paraisópolis ele aparece como um grande personagem, não nas escrituras, mas na memória de quem fez a vida aqui e de quem ajudou a construir a comunidade.

Assim como muitos migrantes nordestinos que vieram tentar a vida em São Paulo, Louro saiu de Alagoas no início da década de 60, aos 29 anos, com sua esposa Maria Luiz da Silva em busca de uma oportunidade. Começou como servente de pedreiro e ajudou a construir o nobre bairro que hoje cerca Paraisópolis.

Cada árvore se conhece pelo fruto. Basta conversar com seus filhos para saber o grande homem que ele foi. A equipe do Jornal Espaço do Povo esteve na casa da família e conversou com os filhos, Gilson e Gilberto, que contaram um pouco da história desse grande homem, que aos 79 anos deixou esposa, quatro filhos, dez netos e uma bisneta.

Captura de Tela 2014-04-23 às 19.06.37

“Meu pai contou que veio de pau-de-arara. Só tinha a roupa do corpo e a mala, que um dia, enquanto ele dormia, acabaram roubando. Ele ficou sem destino, acabou indo morar em alojamentos e albergues. É isso que eu me orgulho dele, é um vencedor que veio só com a roupa do corpo e deu condições de estudo para os filhos.

Aquela máxima de que por trás de um grande homem tem uma grande mulher é mais que verdadeira, mais que justa, porque durante 50 anos minha mãe sempre esteve ao seu lado.

Ele fez muito pelo início da comunidade. São quase 50 anos aqui, começou com o mercado, que era o “Bar do Louro”. Durante o final de semana ele matava porcos, salgava e saia vendendo. Paraisópolis era uma grande fazenda que acabava de ser loteada, pois foi ocupada entre 1950 e meu pai chegou aqui dez anos depois, só que ele veio com a intenção de melhorar de vida, e como ele era jovem, começou a vender os miúdos de porco.

A minha avó, mãe da minha mãe, acabava de perder o esposo no nordeste. Ele percebeu que precisava auxiliá-la, pois minha mãe queria ir embora e ele falou: – Não, a gente não pode, nós viemos pra cá para mudar de vida.

Assim, na Rua Nossa Senhora Aparecida ele construiu os dois primeiros barracos de madeira em Paraisópolis, isso há 49 anos. Os dois barracos de madeira eram para a minha avó vir com meus dois tios, mas naquela época era muito difícil, você mandava uma carta e até voltar demorava uns três meses. Ele vendeu esses dois barracos e construiu mais dois ao lado, e assim foi. Depois mais pessoas tiveram a mesma ideia.

Surgiu a oportunidade de alugar esse lugar aqui onde hoje é o nosso mercadinho. Iniciou com aquela venda de secos e molhados, cachaça, farinha e feijão e começou a melhorar. Passou a vender a carne seca, a linguiça defumada, e ele foi melhorando. Começou a vender o querosene. Meu pai era muito criativo, para não colocar o querosene dentro da venda e não pegar fogo, ele deixou do lado de fora e canalizou o querosene que ele vendia, pois não tínhamos luz elétrica, água encanada e nem rede de esgoto.

Captura de Tela 2014-04-23 às 19.06.19

Se puxarmos o cadastro do CNPJ, acredito que o do meu pai tenha sido um dos primeiros comércios a ter realmente registro, junto com o seu Jair da rua do Homero [Rua Herbert Spencer, onde atualmente fica o colégio Homero dos Santos Fortes.

Como em todo bairro, as dificuldades começaram a aparecer. Não tinha energia elétrica e eles conseguiram um ponto de energia perto da Rua Ernest Renan, que era o mais próximo da Giovanni [Av. Giovanni Gronchi], aquela energia era passada em um cano como se fosse água, e os fios chegavam até aqui e iam lá para baixo, e assim começaram a montar as primeiras redes elétricas de Paraisópolis.

Paraisópolis começou a crescer e aí vem a falta de infraestrutura. As ruas estavam todas esburacadas e ele ia nas regionais e por meio de caixinhas as pessoas vinham com as máquinas e deixavam as ruas planadas. Isso era ótimo, mas quando vinha a chuva, esburacava tudo. Na rua Iratinga criava-se valas enormes, a água descia de lá, derrubava os barracos e meu pai tinha que arcar também com as despesas comprando o material para as pessoas.

A lição de vida que o meu pai deixou sempre foi essa: respeitar as pessoas, nunca querer ter o que é dos outros, trabalhar para ter o que é seu. Dentro desse pouco conhecimento cultural que ele tinha, ele procurava dar estudo pra gente. Nós fomos até onde quisemos chegar.

Com os anos 90, começou a vir a modernidade, chegou a luz, o asfalto, Paraisópolis foi crescendo e a gente foi se desenvolvendo e crescendo junto com o bairro. Tornou-se uma referência o mercado do Louro.

A Rua Wilson não existia. Ele abriu para poder ir na direção do Grajaú e Capão Redondo, onde ele também ia com a Teresa – a égua que puxava a carroça.

Assim como a família da minha avó, ele ajudou a trazer outras famílias. Ele construía o barraco, dava o dinheiro da passagem e as pessoas vinham pra cá e já se tornavam seus clientes, e ele foi amarrando isso.

Nos anos 90 teve uma coisa muito marcante na nossa vida. Meu pai tinha por volta de 40 barracos e ele chegou para a minha mãe e disse: “- A partir de amanhã eu não vou querer mais receber aluguel desses barracos, porque as pessoas mal ganham para pagar pra gente e eu não quero mais esses barracos”. Meu pai doou todos eles.

Ele foi uma pessoa batalhadora, nunca desistiu, sempre impôs aos filhos, dentro daquilo que ele tinha como cultura, um caminho correto. Era turrão, mas sua teimosia lhe trouxe mais frutos positivos do que negativos. O patrimônio que ele deixou para os filhos foi o mínimo, o legado que ele deixou foi maior: do migrante nordestino que chegou aqui com a roupa do corpo e conseguiu ter um comércio, uma casa e educar os filhos.

 

Categorias
Cultura f Na Imprensa

Projeto da Escola de Música de Paraisópolis é destaque em boletim do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, em Zurique

eth-02

Categorias
f Na Imprensa

Conheça o Gaudí brasileiro e o escultor Berbela, artistas de Paraisópolis que usam materiais recicláveis

Publicado no Último Segundo do IG

Casa de jardineiro foi inspirada (por acidente) em cultuado artista catalão. Já Berbela tem ateliê com 8 mil esculturas de peças de carro; veja mais sobre ‘Paraisópolis das Artes’

Artista plástico por vocação, o jardineiro Estevão Conceição, de 56 anos, construiu durante quase três décadas o próprio ‘castelo’ de pedra na zona sul de São Paulo. E mal sabia que sua arte tinha traços do consagrado artista catalão Antoni Gaudí. Descoberto por uma jornalista e uma estudante de arquitetura, o baiano ganhou fama nacional e internacional pela sua obra e o apelido “Gaudí brasileiro”. A construção “Casa de Pedra” faz parte do roteiro Paraisópolis das Artes, que explora o turismo cultural e a criação de moradores nas vielas da comunidade.

Tímido, Estevão recebeu o iG em seu castelo de 75 m² e oito metros de altura. Já na entrada, o visitante pode ter a sensação de já ter visto a cena em algum lugar. E não está enganado. A fachada lembra o Parque Güell, em Barcelona, obra do então “desconhecido” que inspirou Estevão. É impossível não se impressionar com os detalhes das paredes irregulares de concreto, que receberam milhares de louças e objetos inusitados como decoração. Com uma pá de pedreiro e um balde de concreto, Estevão construiu sua imaginação até um jardim suspenso, no terceiro andar, onde abriga inúmeras plantas.

Para um visitante, o local é um labirinto na rua Hebert Spencer, número 38. Mas o baiano, natural de São Estevão (BA), não encontra dificuldades para encontrar o primeiro prato que cravou no concreto e sua peça favorita. “Comprei quase tudo o que você vê aqui. Fico chateado se alguém fala que peguei as peças na rua”. Estevão divide seu tempo entre o trabalho em um prédio de Pinheiros, na zona oeste, e idas aos bazares da Vila Madalena em busca de novas peças.

Durante a entrevista, ele ainda exibiu quadros e vasos decorados, que são vendidos até R$ 250. O “palácio” é divido com sua mulher Edilene Souza Conceição e os dois filhos, Stefana, de 18 anos, que ganhou o título de Miss Paraisópolis, e Enrique, de 10. Para a família, que já está acostumada com a frequência de visitantes estrangeiros, o roteiro cultural na favela só traz benefícios, inclusive financeiros.

Os artistas que participam do programa “Paraisópolis das Artes” recebem parte dos R$ 150 cobrados pelo ingresso. Antigamente, o artista e a mulher cobravam R$ 15 por um tour pela Casa de Pedra. Edilene guarda um livro de recados com as informações dos primeiros visitantes – maioria avassaladora estrangeira. “Quase todos saíram daqui querendo pagar mais, achando que eu cobrava pouco. É legal ver que todos gostam”, disse o modesto Estevão.

Arte com ferro-velho

2spl1ii79fyjq35n569rng100Nas mãos de moradores da comunidade, materiais recicláveis, louças e até ferro-velho viram obras de arte. No ateliê improvisado ao lado de sua oficina, o mecânico Edinaldo da Silva, de 49, o “Berbela”, exibe mais de oito mil peças entre animais, plantas e personagens.

Apesar de vender algumas de suas criações, o pernambucano confessa que tem certo apego e não sente vontade “de perdê-las por aí”. “Meu sonho mesmo é expor todas elas e ter uma galeria”, diz Silva enquanto mostrava as peças espalhadas pela casa sujeitas às intempéries.

A paixão pela soldagem começou em 2001 quando viu uma reportagem na TV sobre um idoso criando réplicas de animais com ferro. “Se eu pudesse, largava a mecânica e viveria disso. É a minha paixão”. Para ele, o brasileiro ainda não reconhece o potencial dos artistas na comunidade. Entre os visitantes de sua garagem estão gringos e artistas plásticos, que são surpreendidos pela sensibilidade de Berbela.

O mecânico recebeu o iG enquanto soldava pedaços cortados de latinha e arames e criava um batalhão de formigas com asas. Ele garantiu que montaria pelo menos 40. E não era nenhuma encomenda. “Estava sentado aqui e vi uma fila imensa de formigas com asas. É a temporada delas, né? Quis fazer uma homenagem”, disse enquanto soldava o material sem nenhuma proteção nos braços e olhos.

Categorias
Cultura f Na Imprensa

Favela ou Comunidade? Dança do Ballet Paraisópolis desperta o sonho de meninas

Através da dança, meninas enxergam no balé o caminho para sonhos e superação, veja a matéria do Jornal da Record na Série Favela ou Comunidade?

Categorias
f Na Imprensa Notícias

Moradores de Paraisópolis (SP) usam a criatividade para aproveitar espaços

Entre ruelas e becos estreitos, a população de mais de 100 [corrigido pelo Jornal Espaço do Povo] mil pessoas se desdobra para construir as moradias. A arquitetura das construções é improvisada pelos próprios moradores. Acompanhe na terceira reportagem de Favela ou Comunidade?

Categorias
f Na Imprensa Urbanização

Ruas do bairro Morumbi não suportam excesso de veículos

Categorias
f Na Imprensa

Favela ou Comunidade? Reportagem mostra aumento de preço dos imóveis em Paraisópolis