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Eleição do Conselho Gestor de Urbanização de Paraisópolis

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Paraisópolis: 74% dos moradores com emprego fixo trabalham no Morumbi

Da Veja São Paulo 2190a

Paraisópolis: 74% dos moradores com emprego fixo trabalham no Morumbi

Prefeitura e governos estadual e federal investiram quase 500 milhões de reais em obras de saneamento, pavimentação e edificações de moradias neste ano

Por Pedro Marcondes de Moura

Vista aérea: o loteamento nasceu nos anos 20

A notícia logo se espalhou pelas 28 agitadas ruas de Paraisópolis. O Banco do Brasil está prestes a operar ali. A agência representa mais uma da série de inaugurações na segunda maior favela de São Paulo — fica atrás de Heliópolis, no Sacomã, com 120 000 moradores. “Temos Bradesco, casa lotérica, loja da Porto Seguro e até Casas Bahia”, orgulha-se a estudante Juliana Gonçalves, 27 anos, que mora desde sempre em Paraisópolis, na Vila Andrade, bairro vizinho do Morumbi. Todos os investimentos foram feitos nos últimos dois anos.

“Estamos conversando com outras grandes empresas”, diz Gilson Rodrigues, presidente da associação local, sem revelar nomes. Antes de funcionar, elas precisam passar pelo crivo de um conselho de lideranças comunitárias. “Queremos preservar os negócios já existentes”, explica Gilson. Há 8 000 estabelecimentos comerciais em Paraisópolis. A maioria botecos, barracas de roupas ou pequenas mercearias sem registro de funcionamento. Existem, porém, sete lojas de material de construção, cinco supermercados e doze padarias de médio ou grande porte. Além de 230 salões de cabeleireiro e quatro academias de ginástica, onde parte dos 90 000 moradores cuidam do visual.

Conjunto habitacional: parte do plano de reurbanização

Paraisópolis nasceu nos anos 20 de um loteamento de 2 200 pequenos terrenos. Chamado de Fazenda do Morumbi, o local permaneceu desocupado por mais de duas décadas, até ser invadido por migrantes nordestinos, atraídos pela promessa de emprego na construção civil. Em 1970, 20 000 pessoas já ocupavam o espaço irregularmente.

Hoje, 74% da população economicamente ativa está empregada no bairro do Morumbi ou no entorno. Outros 21% trabalham na própria favela. Não precisam atravessar as quinze entradas que separam em poucos metros a favela das residências vizinhas de alto padrão. A favela passa por um amplo projeto de urbanização desde 2006. A prefeitura e os governos estadual e federal investiram quase 500 milhões de reais em obras de saneamento básico, pavimentação de vielas e edificações de moradias neste ano. Alguns terrenos estão sendo legalizados — 90% dos domicílios, entretanto, ainda se mantêm irregulares, ou seja, não têm escritura nem pagam IPTU. Fios de alta tensão se entrelaçam, o que pode provocar um curto a qualquer momento.

Os barracos, em sua maioria improvisados, feitos de madeira, não possuem rede de esgoto. Quando chove, as vielas de barro se transformam num lamaçal, o que impede a entrada dos carros de coleta de lixo e até de ambulâncias. “O Grotão vive isolado de tudo. Os agentes de saúde nunca aparecem”, diz o auxiliar de pedreiro Rodivaldo Sousa. Outra questão de difícil resolução é o elevado número de ocorrências de tráfico de drogas. A Rua Doutor Laerte Setúbal, uma travessa da Avenida Giovanni Gronchi, é o ponto de tráfico mais famoso dali, onde garotos ricos costumam buscar crack, cocaína e maconha.

O ex-servente José Francisco: 200 pizzas por dia

Muitos conseguiram prosperar neste ambiente. “Fiz a minha vida aqui. Tudo o que tenho consegui dentro de Paraisópolis”, conta o ex-servente de pedreiro José Francisco, dono há dezesseis anos da KI-Pizza. Com faturamento mensal declarado de 90 000 reais, Francisco diz possuir, além da casa de quatro andares, onde funciona o negócio, fazenda, residências alugadas, terrenos e uma caminhonete último modelo. O segredo do sucesso, segundo ele, é trabalhar com exigência e não desmerecer a freguesia: “Não é porque estou numa favela que vou oferecer produtos de segunda categoria.”

OS NÚMEROS DA SEGUNDA MAIOR FAVELA DA CAPITAL
800 000 metros quadrados é a área total, o equivalente a 97 campos de futebol

90 000 pessoas vivem em seus 22 000 domicílios

85% dos moradores são nordestinos e 35% têm entre 15 e 29 anos

8 000 é o número de estabelecimentos comerciais, entre eles 230 salões de cabeleireiro e duas casas noturnas

90% dos domicílios estão irregulares, ou seja, não têm escritura nem pagam IPTU

Fonte: Secretaria de Habitação e União dos Moradores de Paraisópolis

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Desapropriação em Paraisópolis: Escavadeiras, Tropa de choque e Helicóptero

Carta à Prefeitura Municipal de São Paulo

A/C Prefeito Gilberto Kassab

Tendo em vista a ação de desapropriação de moradias que está ocorrendo hoje dia 5 de novembro na comunidade de Paraisópolis – região do Grotão, a União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis (UMCP) vem através desta carta levantar as seguintes ponderações:

  1. A urbanização de nossa comunidade tem sido um notável exemplo de trabalho integrado entre o poder público e as organizações sociais, que através do diálogo garantiram as obras e transformações necessárias para a construção de uma Nova Paraisópolis;
  2. A remoção de casas, para garantia das obras necessárias à urbanização, só foi possível através da garantia de moradia, por meio da construção dos conjuntos habitacionais e do auxilio aluguel;
  3. A fiscalização da construção de moradias irregulares, bem como a organização do cadastro de moradores a serem beneficiados pela garantia da moradia é de responsabilidade do poder público, e de seus órgãos de segurança e fiscalização;
  4. Na área do grotão onde ocorrem as remoções existem famílias já cadastradas pela Prefeitura em 2005, moradores antigos de nossa comunidade, que não podem de maneira alguma ser tratados como invasores ou foras da lei.
  5. A União buscou mediar um dialogo entre moradores e prefeitura, através de diversos órgãos para evitar transtornos e confrontos entre a polícia e a comunidade – não houve acordo.
  6. Os moradores pediram um prazo de uma semana para desocupação da área, mas não foram atendidos. Foram recebidos hoje com máquinas escavadeiras para derrubada das suas moradias e muitos policiais e até um helicóptero.
  7. Muitas famílias estão desabrigadas sem resposta de moradia da Prefeitura Municipal de São Paulo.

Baseado nestes pontos, a UMCP tentou nestes dias estabelecer o diálogo entre a Prefeitura, a Polícia e os moradores da região a ser desapropriada sem sucesso. Lamentamos a situação desnecessária. Insistimos na necessidade de construção do diálogo e pedimos o apoio de todos os amigos de Paraisópolis para isso.

 

Propomos com objetivo de garantir o sucesso e o aprofundamento do dialogo construído no último período para a transformação da favela em um bairro que as 58 famílias cadastradas tenham garantido o compromisso firmado em reunião no canteiro de obras da urbanização do recebimento da sua moradia, pois os apartamentos estão sendo construídos para este fim ou que recebam seguro aluguel até que possam ir para uma moradia definitiva.

São Paulo, 5 de novembro de 2010.

 

Gilson Rodrigues
União dos Moradores e do Comercio de Paraisópolis
Presidente

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Lançamento das Orquestras Filarmônicas de Paraisópolis

Nesta quinta-feira próxima, dia 16 de setembro, a comunidade de Paraisópolis comemora 43 anos de vida. Como presente à sua população será lançado o projeto “Orquestras Filarmônicas de Paraisópolis”. Será as 14h00 , no CEU Paraisópolis. Criado a partir de uma parceria entre a União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis, por meio de seu presidente, Gilson Rodrigues e o Maestro Paulo Rydlewski, o projeto oferece cursos gratuitos de música para crianças e adolescentes entre 07 e 17 anos de idade, residentes em Paraisópolis, cidade de São Paulo. Uma ação fundamental no sentido de criar oportunidades e perspectivas de futuro para alguns dos milhares de talentos que existem entre as crianças e jovens de nossa comunidade.

O projeto será iniciado no CEU Paraisópolis e atenderá 500 crianças e jovens, mas graças a uma parceria com a Prefeitura Municipal de São Paulo, através da Secretaria de Habitação, órgão responsável pelo Programa de Urbanização de Paraisópolis, a orquestra terá espaço próprio. Será construída uma Escola de Musica que ficará na região do Grotão. A obra faz parte da 3ª fase da urbanização da comunidade e deve ser iniciada ainda este ano. Concluídas todas as obras da urbanização, finalmente a favela poderá ser chamada de bairro, um presente maior ainda.

Com a participação das crianças da comunidade e a inclusão de portadores de deficiência visual, crianças com necessidades especiais e menores infratores, o projeto possui método pedagógico próprio, valorizando as atividades coletivas, em todas as etapas do aprendizado. Serão oferecidos cursos de instrumentos de orquestra, teoria, orquestra, coral, atividades culturais complementares, alimentação, uniformes e apoio psicológico a todos seus participantes. O aprendizado de todos os estilos musicais – erudito, popular, folclórico e o incentivo à leitura são aspectos interessantes e criativos desse novo projeto que surge para se manter por muitos anos na comunidade.

Contato

União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis

Presidente: Gilson Rodrigues  Tel.3501-2124  Cel. 7197-3514

Mo. Paulo Rydlewski

Tel. 8952-9903

CEU Paraisópolis

Rua José Augusto de Souza e Silva, s/n.  Tel. 3501-5660

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A sinfonia do grotão

Folha de São Paulo 08/09/2010

GILBERTO DIMENSTEIN
A sinfonia do grotão

NUMA RIBANCEIRA DA FAVELA de Paraisópolis, desocupada por um incêndio que queimou os barracos, está surgindo uma improvável iniciativa: a sede de uma orquestra filarmônica.

Por trás dessa iniciativa, há um personagem mais improvável ainda, um incentivador da música erudita: migrante baiano, filho de uma mulher surda-muda que teve 14 filhos, hoje espalhados pelo Brasil, Gilson Rodrigues, 26 anos, por muito tempo, dormiu debaixo da mesa de um bar em Paraisópolis. “A orquestra é meu grande sonho”, diz.

O próprio Gilson só gostava de samba e pagode. Mas, indo a concertos, foi se convencendo de que os moradores iriam, como ele, descobrir a riqueza da música erudita.

O projeto arquitetônico já está pronto e, agora, Gilson está atrás dos recursos para montar a orquestra, cuja meta é descobrir talentos na própria comunidade. “Tudo isso começou com a impossibilidade.”

Depois que aquela área, batizada de “grotão”, pegou fogo, começaram a pensar o que fazer ali. Por causa da inclinação acentuada, ninguém aparecia com uma boa ideia. “Diziam que o máximo que se podia fazer era colocar grama”, conta Gilson, presidente da Associação de Moradores de Paraisópolis.

Rapidamente, porém, o terreno seria reocupado por novos barracos e a comunidade perderia a chance de ter uma área comum.

Gilson já tinha desenvolvido em Paraisópolis projetos de música que foram bem aceitos.

“Mas o pessoal gosta mesmo é de rap, samba ou pagode.” Gostaria de ver gente apreciando música erudita, como ocorre em Heliópolis.

Mas uma coisa é pagode, outra é montar toda uma orquestra, que exigiria ensaios periódicos.

Estudante de direito, Gilson aprendeu a fazer contatos tanto com lideranças políticas dos mais diversos partidos -o projeto de reurbanização de Paraisópolis é desenvolvido com apoio dos governos estadual, federal e municipal- quanto com empresas. Foi assim que conseguiu uma rádio comunitária legalizada e levou bancos, grandes lojas e companhias aéreas para a favela.

Conseguiu estabelecer uma boa rede de contatos -até porque muitas dessas empresas, inicialmente desconfiadas da vizinhança, perceberam, com o resultado das vendas, que estavam fazendo bons negócios entre os chamados “emergentes”.

Com o projeto doado, a prefeitura aceitou colocar a sala de concertos no plano de urbanização, aproveitando a ribanceira até então vista como imprestável -e, com isso, a cidade, ao fundo do palco, vai se transformar numa paisagem.

A ideia entusiasmou maestros. Aprovou-se a orquestra com leis de incentivo fiscal; um banco já fez a doação. Mas ainda é cedo para saber se aquela ribanceira, antes só ocupada por barracos, vai ser tomada pela música.

Para quem, aos cinco anos, viu a mãe morrer, morou debaixo de uma mesa de bar, entrou na faculdade, virou líder comunitário e ajudou a montar um plano de reurbanização que atrai a atenção de arquitetos pelo mundo, um grotão se transformar em sede de orquestra não parece tão difícil assim.

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Comunidade de Paraisópolis (SP) recebem 240 moradias

Do Site do Ministério das Cidades

Na cerimônia de inauguração, também foi assinado contrato do PAC da Copa em São Paulo

Os moradores de Paraisópolis, comunidade de baixa renda localizada na região do Morumbi, Zona Sul de São Paulo, vão receber 240 apartamentos nesta terça-feira (31). A cerimônia da entrega das moradias, que teve presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida, começará às 14h30, na própria comunidade.

Durante o evento também será assinado contrato de R$ 2,86 bilhões, um dos projetos selecionados pelo PAC da Copa para o município de São Paulo. O empréstimo do FGTS será de R$ 1,082 bilhão e o restante, contrapartida do Governo do Estado de São Paulo.

O investimento na construção dos 240 apartamentos e da creche que seria inaugurada nesta terça nesta terça (31) foi de R$ 19,5 milhões, realizado em parceria do Ministério das Cidades com a Prefeitura de São Paulo. O edifício do Centro Educacional Infantil já foi entregue, restando apenas concluir licitação para mobiliar a creche.

O presidente Lula elogiou a qualidade dos apartamentos que foram entregues. “O ministro Marcio Fortes sabe que as moradias do Minha Casa, Minha Vida terão de ter azulejos e cerâmica porque não é possível imaginar que pobre goste de pobreza”, disse.

As autoridades presentes entregaram simbolicamente as chaves a cinco das famílias da comunidade. O ministro Marcio Fortes entregou à moradora Nívia Silva Leão as chaves da nova casa dela. “Agora que as casas estão prontas, temos de pensar no futuro, cuidar das casas, preservar nossos jardins da comunidade”, afirmou o ministro.

Moradias

A maior parte das moradias que serão inauguradas (200 apartamentos) pertencem ao Condomínio B e o restante (40) ao Condomínio C. As unidades têm 54,5 metros quadrados, divididos em dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. O presidente Lula brincou ao comparar as unidades inauguradas com uma das casas em que ele e sua família viveram. “Quando eu casei, em 1975, fomos morar Marisa, nossos dois filhos e eu em um apartamento de 33 metros quadrados. À medida que nossa família foi crescendo, fomos fazendo puxadinhos e a casa foi crescendo aos trancos e barrancos”, contou.

Os moradores dos condomínios terão acesso a áreas de lazer, estacionamentos e vias pavimentadas. Os edifícios serão abastecidos por redes adequadas de água, esgoto, drenagem, energia elétrica e gás natural. Os novos moradores dos condomínios B e C ocupavam áreas de risco ou regiões da comunidade que foram afetadas pelas obras de urbanização.

Creche – O Centro Educacional Infantil Paraisópolis tem dois andares e 789 metros quadrados de área. A creche integra a rede municipal de ensino e atenderá crianças de zero a três anos. Os alunos serão divididos em turmas, de acordo com a idade de cada um.

PAC em Paraisópolis
Os projetos de assentamento precário da capital paulista, que possui cerca de 60 mil moradores, investem na construção de 2.412 moradias – das quais 364 já foram entregues – recuperação e melhorias em 692 residências, além da implantação de equipamentos comunitários, como escolas, creches, postos de saúde, ampliação das redes de esgoto, água e energia elétrica, além da projetos de trabalho social e regularização fundiária.

O objetivo do projeto é integrar o segundo maior assentamento precário da capital paulista, com cerca de 60 mil moradores, à cidade por meio da construção de 2.412 moradias – das quais 364 já foram entregues – recuperação e melhorias em 692 residências, além da implantação de equipamentos comunitários, como escolas, creches, postos de saúde, ampliação das redes de esgoto, água e energia elétrica, além da projetos de trabalho social e regularização fundiária.

O projeto do PAC Urbanização de Favelas na comunidade se divide em dois contratos: o primeiro, com a Prefeitura Municipal de São Paulo, no valor de investimento de R$ 238,2 milhões e o outro, com o Governo do Estado de São Paulo, cujo valor de investimento é de R$ 80,6 milhões, totalizando: R$ 318, 8 milhões. Nos dois contratos o governo Federal contribui com R$ 162,9 milhões do Orçamento Geral da União. Cerca de 22,4 mil famílias serão beneficiadas.
Copa 2014

No evento desta terça, também foi assinado contrato de financiamento no total de R$ 2,86 bilhões para realização de obras que vão ligar o Aeroporto de Congonhas à Rede Metroferroviária de São Paulo. O trajeto vai da Estação Jabaquara, da Linha 1 do metrô paulista, à futura estação São Paulo-Morumbi, da Linha 4, passando pelo Aeroporto de Congonhas.
A fonte dos recursos é o FGTS – R$ 1,082 bilhão – e a contrapartida do Governo do Estado de São Paulo – mais R$ 1,778 bilhão.

PAC em SP
O investimento do PAC Saneamento e Habitação no Estão de São Paulo atualmente é de R$ 13,4 bilhões – sendo R$ 8,5 bilhões em projetos de saneamento e R$ 4,9 bilhões em ações de habitação.
Na capital os projetos do PAC Saneamento e Habitação recebem investimento de R$ 3,81 bilhões. Nesses setores, R$ 1,97 bilhão é para projetos de saneamento e R$ 1,84 para ações habitacionais.

MCMV – O estado de São Paulo contratou até 20 de agosto 118.951 moradias pelo programa Minha Casa, Minha Vida. O valor do investimento é de R$ 7.7 milhões. Do total de casas contratadas, 43.6 mil são para famílias que ganham até três salários mínimos. Na capital paulista foram contratadas 15.150 moradias no valor de R$ 1 milhão. Do total de moradias contratadas, 1571 são para famílias que ganham até três salários mínimos.

No Brasil foram contratadas 604.037 moradias, orçadas em R$ 34,2 bilhões. Do total de contratações realizadas até 20 de agosto, 343.1 mil casas, orçadas em R$ 15,4 bilhões.Essas moradias são para famílias com renda de até três salários mínimos.

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Paraisópolis terá passeio turístico para a Copa 2014

Do Terra Magazine

Mariana Desidério
Especial para Terra Magazine

Quem pretende vir ao Brasil para a Copa do Mundo já tem um novo ponto turístico para visitar entre um jogo e outro. A União de Moradores de Paraisópolis, uma das favelas mais famosas de São Paulo, está preparando um tour para quem quiser conhecer a vida na comunidade e seus artistas anônimos.

“Nós achamos que vai ter, sim, jogo no Morumbi e, mesmo se não tiver, as pessoas virão para São Paulo do mesmo jeito e vão querer conhecer Paraisópolis”, diz o presidente da associação, Gilson Rodrigues.

O tour pela favela inclui visitar artistas locais como o Gaudí e seu castelo – morador que ergueu uma casa parecida com a obra do arquiteto catalão Antoni Gaudí, em Barcelona -, conhecer o trabalho das ONG’s que atuam ali e almoçar em um boteco. O nome do passeio será “Uma visita ao paraíso”.

Os moradores planejam ainda a criação da marca Paraisópolis. “Teremos itens para vender, como copos e cadernos. Assim, a pessoa que vem aqui pode adquirir os produtos e contribuir com a comunidade. Não vamos cobrar pelo passeio”, adianta Rodrigues.

Do Morumbi para a favela

Apesar de os planos maiores visarem a Copa, Rodrigues conta que Paraisópolis já é bastante procurada, principalmente após o início da urbanização da favela. Segundo ele, metade dos visitantes são moradores do Morumbi que querem conhecer por dentro a comunidade que veem pela janela. Em geral, são pessoas ricas. “Mostramos o convívio da comunidade, nosso jornal, levamos para falar com um morador mais velho. A pessoa vive a comunidade durante um dia”, afirma.

Pelas suas contas, com o início da urbanização (há cerca de um ano e meio), as visitas aumentaram cerca de 200%. Entretanto, ele lembra que a relação com o bairro em frente não foi sempre assim.

“No passado o Morumbi tinha o sonho de remover Paraisópolis, as associações de lá apontavam para o governo a necessidade de remoção das pessoas daqui. Hoje eles não nos veem mais como inimigos porque, afinal, as babás de lá são as nossas meninas, os porteiros são os nossos meninos, os motoristas, os seguranças são as pessoas aqui de Paraisópolis”, explica.

“Zoológico”

Para a União do Moradores de Paraisópolis, os passeios à comunidade só devem ser guiados por quem é de lá. “Não vemos com bons olhos essa história de agências, ou pessoas de fora da comunidade que não conheçam nossa realidade, trazerem pessoas para cá. Não somos bichos e aqui não é um zoológico”, afirma Gilson.

A agência de turismo Check Point afirmou que faz passeios a Paraisópolis e outros pontos pobres de São Paulo, como Heliópolis e Cracolândia. De acordo com o diretor da empresa, Luciano de Abreu, o tour custa 90 reais por pessoa. “A ideia é mostrar que existem pessoas boas nestes lugares”, afirma. O presidente da associação de Paraisópolis diz que não conhece a agência.

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Carta aberta ao Governador Alberto Goldman

São Paulo 21 de Junho de 2010

Ao Governo do Estado de São Paulo
Governador Alberto Goldman

Senhor Governador,

Na última semana a cidade de São Paulo foi surpreendida por duas informações extremamente graves. A primeira de que o Estado de São Paulo está nesse momento fora da Copa do Mundo, pela exclusão do estádio do Morumbi, e a segunda, aparentemente por conseqüência da primeira, que a extensão da Linha Ouro do metrô para as estações do Morumbi e Paraisópolis será adiada para possibilitar a extensão da Linha Laranja que chegará a Pirituba, onde se pretende construir um novo estádio.

Apesar de estarmos ansiosos para torcer pelo heptacampeonato brasileiro em nossa cidade, consideramos que este problema, como já opinaram o prefeito Gilberto Kassab e o presidente Lula, será resolvido, por conta da enorme importância econômica e social que nosso estado tem para o país. O adiamento por prazo indefinido para a expansão do metrô na zona sul, no entanto é fato gravíssimo com conseqüências sociais grandes.

Durante muitas décadas o estado teve a equivocada avaliação de que a região do Morumbi não necessitava de transporte coletivo pelo seu caráter elitizado. Tapava os olhos para o fato de nossa região contar com quase 300 mil moradores, a maior parte deles vivendo em comunidades carentes como o Paraisópolis e Jardim Colombo. Na verdade, a política de fundo era as seguidas tentativas de remoção completa destas comunidades, tal qual as políticas higienistas e do apartheid em outros tempos e lugares. Essa visão foi abandonada a partir da urbanização de nossa comunidade e a construção de escolas, avenidas e conjuntos habitacionais. Falta ainda, a construção do Hospital Regional de Paraisópolis que também é prioridade para a comunidade.

O transporte coletivo, no entanto ainda não chegou até o Morumbi. Quem não tem carro se vira com lotações, bicicletas, motos, ônibus que demoram horas para sair e são obrigados a fazer itinerários circulares para chegar a todos os destinos que precisamos. A isso se juntam os carros dos imensos condomínios, e os engarrafamentos nos tomam horas todos os dias. Provavelmente não existe em nossa cidade região com o trânsito tão caótico, mal planejado e nocivo aos direitos dos cidadãos como o Morumbi.

A chegada do metrô começaria a desafogar esta realidade, e deveria ser acompanhada por corredores de ônibus e a multiplicação, pelo menos em dez vezes o número de linhas dedicadas a região. No entanto, com a exclusão do Morumbi da Copa, o metrô anunciou que as estações previstas para 2013 estão adiadas por tempo indeterminado! Nos unimos a uma lista de dezenas de novas estações previstas até 20 anos.

Portanto, em nome da comunidade de Paraisópolis, e em sintonia com todos nossos vizinhos do Morumbi e região, das mais diferentes classes sociais, afirmamos que está sendo cometido um crime contra 300 mil moradores. Não é possível sermos informados via imprensa, jogar no lixo todo o debate que envolveu governo, metrô, lideranças comerciais e sociais de nossa região, por mais de 30 anos, e avisar pela imprensa, que o compromisso assumido e assinado com a nossa comunidade não será cumprido. Nós já pagamos por décadas a ausência do estado nesta região, e embora seja importante trazer a Copa para São Paulo, exigimos que quem pague a conta para isso seja o governo, e não o povo do Morumbi.

Que os investimentos aumentem um pouco, e se expandem em paralelo a linha ouro e amarelo. Não abrimos mão do metrô em nossa região. Por isso, convocaremos ao lado dos mais de 20 deputados estaduais com trabalho em nossa região, com a participação de dezenas vereadores, deputados federais e senadores uma audiência pública na Assembléia Estadual e contamos com a presença dos representantes do metrô para discutir o assunto.

Atenciosamente,

Gilson da Cruz Rodrigues
Presidente da União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis