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De sangue, adotiva ou consideração, não importa, elas são simplesmente MÃES

Publicado no Jornal Espaço do Povo 32
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Por Keli Gois

Com o passar dos anos, as famílias brasileiras passaram a ser constituídas de diferentes formas, o que há em comum na maioria delas é a presença das mães, guerreiras que dão a vida e o sangue para garantir a educação e a felicidade dos filhos.

Maria Zenaide do Amaral, 64, é um exemplo típico de mãe guerreira. Moradora de Paraisópolis há mais de 40 anos, criou seis filhos biológicos e mais dois adotivos, e hoje tem 15 netos e um bisneto. Com todos os filhos criados, ela se orgulha e não se arrepende de nada. “Eu sempre encarei a vida com muita garra. Quero que meus filhos procurem dar o melhor para seus filhos, pois eu procurei dar o melhor de mim a eles”, afirmou.

Ela conta que pouco tempo depois do nascimento da primeira filha, sua mãe faleceu. Nessa época enfrentou várias dificuldades, mas nunca desistiu. “Quando perdi minha mãe fiquei criando minha filha sozinha, mas eu não esquentei com as dificuldades da vida, eu sempre as enfrentei trabalhando”, relembrou.

O que ela não sabia é que com seis filhos pequenos para criar, algo aconteceria e mudaria sua vida. O destino lhe reservava uma grande surpresa e lhe traria dois grandes amores. O irmão havia sido preso e lhe pedira ajuda para criar a criança que ainda estava a caminho, mas, para sua surpresa eram gêmeos. “Quando cheguei ao hospital logo perguntei: “Nasceu o menino? E o médico falou: Não! É uma menina! Então eu disse: “Vai se chamar Cláudia Aparecida”, e o médico então me perguntou: ” E o que nós faremos com o menino?”. Fiquei perdida e não sabia o que fazer.

Ela adotou as crianças e desde então dedicou sua vida aos oito filhos, que ela criou com muito amor, carinho e respeito. “Minha mãe não me dava carinho e atenção. Quando eu comecei a ter os meus filhos eu jurei para mim mesma que poderia ter quantos filhos quisesse, mas eles estariam sempre na barra da minha saia. Por mais trabalho que eles me derem, vou sempre manter a minha responsabilidade de mulher”, contou.

Além de ser uma excelente mãe, cumpriu e cumpre até hoje o papel de pai. Se orgulha de tudo o que fez para criar os filhos, tendo como pilar o amor, o companheirismo e o respeito à família e ao próximo “Sempre na minha casa ensinei um a respeitar o outro. Respeitar e não mentir foram duas coisas que meu pai [avô] sempre me ensinou a fazer. Eu agradeço muito a Deus pelos filhos que tenho”.

Zenaide afirma que, na medida do possível, sempre procurou educar os filhos da melhor forma. “Tem mãe que é mãe com um “M” bem grandão, eu acho que é como eu fui. Mãe ideal é uma mãe que se preocupa com os filhos, que está sempre presente, mesmo que seja no pensamento”, concluiu.

Aulerina Soares Santos, 51, sabe muito bem as dificuldades de uma criança que não tem uma mãe presente. Seu neto de apenas quatro anos sofre rejeição da mãe, que optou por não criá-lo. Com o filho preso, ela acabou tornando-se responsável pela criação do neto, que hoje é o seu maior tesouro.

Mãe de seis filhos, Aulerina sempre lutou e trabalhou como diarista para conseguir garantir o sustento dos filhos, luta essa que ela tem até hoje com o neto que ela faz questão de chamar de filho. “Ele me chama de mãe e me protege. E ai de alguém se falar que eu não sou mãe. Mãe é aquela que dá carinho, amor e atenção, desabafou.

Hoje, sua maior luta é conseguir a guarda definitiva do neto “Tenho muita fé em Deus que ficará tudo bem e meu filho poderá criar seu filho”. Ela relembra que trouxe o neto para Paraisópolis há cerca de um ano. A mãe, segundo ela, não fazia questão de cuidar do menino. “Quando eu o busquei, ele se transformou em outra criança. Foi a minha maior alegria, temos uma sintonia diferente que não dá para explicar”, concluiu.

Como muitas outras mães guerreiras de Paraisópolis, Cláudia Regina Di Silvério, 42, é um exemplo de coragem e perseverança. Mãe de cinco filhos, sendo um deles adotivo, já passou por muitas dificuldades, mas o desejo de criar e educar os filhos foi o que nunca a deixou desistir.

Criada pelo pai e pela madrasta, ela soube desde pequena o quanto é difícil crescer sem a presença de uma mãe para auxiliá-la nos momentos mais difíceis. “Meu pai era empresário. Eu sempre tive uma vida financeira muito boa, mas quando a minha mãe me teve, ela me deixou no hospital, pois minha avó não a aceitava”, revelou.

Aos 15 anos saiu de casa para viver em São Paulo com o companheiro. Casou-se, teve o seu primeiro filho e tornou-se uma empresária de sucesso no ramo alimentício, quando teve a oportunidade de adotar uma criança, que tornou-se seu segundo filho.

Anos depois, ao separar-se do marido, teve que deixar tudo o que havia conquistado e recomeçar a vida em Paraisópolis. Sem contar com pensão alimentícia ou qualquer apoio financeiro, Cláudia sempre enfrentou e enfrenta até hoje verdadeiros desafios. Para sustentar os filhos ela faz de tudo: vende iogurtes e também faz chocolate para vender, e quando aparece algum “bico” não tem tempo ruim. “Nunca ganhei pensão de nenhum dos meus maridos. Nunca fui atrás disso, sempre trabalhava para sustentar meus filhos com o meu suor”, se orgulhou ela.

Com alguns anos vivendo na comunidade, Cláudia sofreu uma grande decepção. Seu filho mais velho havia envolvido-se com o crime e suicidou-se, fato que ela não entende até hoje. “Ele chegou aqui com 11 anos. Começou a ir para a escola, depois ia para a casa de um amigo, para uma balada, e assim foi. Quando eu percebi, ele já estava envolvido com o tráfico e eu perdi o domínio”, desabafou.

Sua maior decepção serve hoje como exemplo para os outros filhos. Ela faz questão de alertá-los sobre a importância de serem honestos consigo mesmos e com o próximo. “Meus filhos são a minha maior motivação. Sempre os ensinei a lutar, a serem honestos e persistentes”, afirmou.

O reflexo de sua infância foi o que a fez ser a melhor mãe para os filhos, passando lições de amor ao próximo, respeito, carinho e compreensão. “Pode-se dizer que eu sou uma mãe e um pai. Sempre estou ao lado dos meus filhos. Ensino sempre o respeito, para que eles não façam com os outros o que não querem para eles”, finalizou.

Avó-mãe, mãe-mãe, mãe adotiva, mãe-pai, mãe de criação ou consideração, não importa, elas são simplesmente mães. Em uma data tão especial o Jornal Espaço do Povo parabeniza todas essas guerreiras, que deram a vida por seus filhos, tornando-os grandes homens e mulheres.

Por Joildo Santos

Editor do Jornal Espaço do Povo

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