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Gideão Idelfonso: A FORÇA DO HULK: Copa da Paz de 2015

   Aqui o assunto é várzea. O mundo ecoa e vibra a partir daquela arquibancada. Lá estive durante toda minha infância, me sinto em casa. O assunto aqui, também é futebol. La Bombonera? Não. É a arena Palmeirinha em Paraisópolis, zona Sul de São Paulo. Orações e fogos antecipam o apito inicial. A torcida estava empolgada, uma torcida apaixonada. Em um dia ensolarado, porém, a lotação era máxima. Era a final de copa do mundo, me questionava? Não. Era a Copa da Paz. Hulk, nossa maior mascote, nos trazia a força e esperança de o Palmeirinha poder conquistar a primeira copa regional expressiva. Eu grito, pulo, vou ao ritmo dos tambores: de hoje não passa, é nosso, Chico.  
    A casa estava cheia, não só os apaixonados de PZS CITY, como éramos chamados, mas também o rival de peso, 9 de Julho, que trazia sua torcida fiel de todas as colonizações dos campos de várzeas ao longo do campeonato. O time tão amado da Casa Verde. Futebol na quebrada é assim, uma experiência lúdica e de encontro fantástica. O samba come solto. Amigos, sorrisos e muita tensão. Apita o árbitro e tal espetáculo começa. 
     Aos cinco minutos de jogo Fumaça, nosso Pelé, entra na área, chuta forte e acerta o travessão de Goiaba: ataque cardíaco na torcida do 9 de Julho. Aos 15 minutos, Cafuzinho toma solada dentro da área, e pênalti! O juiz manda seguir. Torcida da casa emana: “Ei, juiz, vai tomar Caju”. Domingo, 16 horas, é assim: um calor intenso. Desidratou. O time da Casa Verde se impõe. Zói de Gato avança pela direita, manda uma sapatada, mas nosso defensor Juninho voou e como um gato fez o inacreditável. Segue o jogo. Fim da primeira etapa. Jogo pegado, juiz catimba ao extremo e a partida não corre, 0x0 etapa inicial. O time de Paraisópolis não desiste. A torcida esse era o amuleto, como um décimo segundo jogador, para o time de Paraisópolis.    
    O time do 9 de Julho, favoritaço, se impôs na volta do segundo tempo e com boas chances quase abre o placar. Um drama que só Galvão poderia expressar. Falta, chance clara do Palmeirinha abrir o placar. Chutaço e defesaça. Goiaba estava impossível. O time da zona norte tinha um defensor seguro. O clima fica tenso, desesperador, final do segundo tempo. Pela regra regional, vamos direto para as penalidades. Torcida fica louca, desesperada, mas confiante e com fé na vitória de Paraisópolis… se não for hoje, não será amanhã.  

     A primeira tentativa de conversão foi do 9 de Julho. Foi fatal. Fumaça iguala… os deuses do futebol existem. Juninho voa como um gato e pega a primeira, torcida grita, o tão sonhado título está próximo. O palmeirinha acerta a próxima cobrança, 2×1 para os donos da casa. Vez dos visitantes, fez, igualam as cobranças. Chance, dos donos da casa ficar na frente. Jogador do Hulk ajeita com carinho, bate, isola a bola. O clima fica tenso. A torcida do 9 julho, grita “É campeão”. Segue o drama. 9 de Julho faz mais um, 2×3 para os rivais. Se o Palmeirinha perder mais um, acabou o jogo. Por Deus… guardou 3×3. Por fim, Juninho se consagra e pega mais um… resultando ao fim das cobranças em um final de 4 x 3 para o time da casa. A torcida enlouquece, invade o gramado e estou na carreata. É o primeiro título importante da casa. Chiquinho, presidente da maloca, impõe hoje ao jornal popular comunitário: “a festa é nossa e a trajetória tornou-se um oásis no deserto”. A moda de pão e circo é retrógada… na Arena Palmeirinha torcedores e jogadores levam o futebol como um estado de espírito.  

A presente crônica tem a intenção de difundir a importância do campo de várzea como um ambiente de diversão e lazer, pela ótica do torcedor, lembrando que alguns nomes e cenas citadas são ilustrativas. O texto tem como objetivo, transmitir sensações de um dos momentos mais marcantes da história do maior clube de Paraisópolis, na final da Copa da Paz de 2015, entre os donos da casa o Palmeirinha x Nove de Julho.

Por Joildo Santos

Editor do Jornal Espaço do Povo