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Solange Luz | A Realidade da Vida Conectada

Anúncios direcionados, na internet e no celular, estão ficando tão específicos que às vezes temos a sensação de perseguição. Especialistas alertam sobre isso, ainda que não nos importemos em sermos perseguidos pela última marca de tênis ou pelo último destino de voo  sobre o qual pesquisamos ou apenas conversamos, escândalos como o da Cambridge Analytica trouxeram à tona uma prática comum e perturbadora das plataformas digitais: a vasta quantidade de dados coletados sobre nós é cada vez mais usada para descobrir nossos desejos e necessidades.

A informação acima foi grandemente discutida no lançamento do Caderno Globo chamado “Entre Dados” que trouxe reflexões importantíssimas sobre a coleta de informações pessoais para fins comerciais. (Saiba mais em Caderno Globo). Não é segredo que nossos aparelhos eletrônicos têm acesso ao que vemos, ouvimos e falamos. O escândalo do Facebook revelou que mensagens de texto, duração de chamadas realizadas e até mesmo o registro de telefonemas perdidos eram coletadas mesmo de usuários que haviam deletados suas contas.

Eis a Questão:

De quem é a propriedade dos dados – e quem pode acessá-lo?

Por exemplo: se sua SmartTV consegue escutar e interpretar os diálogos que você conversa com sua família na sala. Qual o limite da coleta e uso dessas informações? Imagine se seu seguro saúde determinasse o valor a ser cobrado dependendo da qualidade das suas compras, seu nível de atividade física ou velocidade na qual dirige? A tecnologia para tudo isso existe: linguagem natural, reconhecimento facial, só não está totalmente – conectada, é o que afirma a especialista nessas áreas Luciana Bazanella

Dados Pessoais São “Moedas”

Os dados pessoais viraram uma forma de “moeda”. Nós usuários não pagamos “nada” na utilização de diversos serviços digitais, como os aplicativos de bancos, supermercados, e redes sociais. Mas a grande verdade é que não existe nada grátis. Quando nos oferecem um serviço gratuito, somos nós a mercadoria.

Como Proteger seus Dados?

No início do ano passado entrou em vigor na Europa O Regulamento Geral de Proteção de Dados, também conhecido como GDPR, um conjunto de regras que equilibra a relação entre grandes empresas de tecnologia que coletam dados e os usuários de onde elas coletam. Por padrão, sempre que uma empresa coletar dados pessoais de um cidadão será necessário consentimento explícito dessa pessoa. Grandes empresas como Google já estão adaptando a forma de coletar os dados de seus usuários.

A grande verdade, entretanto, é que a tecnologia avança de forma muito mais rápida do que conseguimos discutir suas implicações éticas ou ainda regulamentá-las. Apesar disso, precisamos estar atentos a todos os movimentos relacionados a privacidade de nossos dados. Estar atentos aos termos que nunca lemos mas aceitamos ao fazer downloads de determinado produto ou serviço é uma prática que também precisamos melhor.

Por Joildo Santos

Editor do Jornal Espaço do Povo