“Os geniozinhos de Paraisópolis”

Por Vagner de Alencar @vagnerdealencar no Blog Mural

Se em Paraisópolis estão as duas piores escolas do ensino fundamental da cidade, segundo o Ideb, é ali também que vivem dois irmãos considerados verdadeiros “geniozinhos”.
A primeira vez que encontrei Vanessa e Diego Siqueira faz dois anos. Aguardava atendimento em um posto de saúde, quando Djalma e os filhos se aproximaram. Naturalmente, começamos a conversar, até que não passou despercebida a inteligência das crianças. Em pouco tempo, os irmãos, que alternavam em si, revelavam as capitais dos Estados brasileiros e de vários países. Confesso que fiquei impressionado, pois estava em frente de duas crianças superdotadas.
Eles nasceram e cresceram na comunidade. Estudaram nas escolas públicas até conseguirem uma bolsa de estudos em uma renomada escola particular do Morumbi, o Colégio Franciscano Pio XII, por causa da inteligência acima da média.

Fotos de agosto de 2008

Hoje, Vanessa tem 10 anos e Diego, 9. “Achei um atlas no lixo numa praça; trouxe para casa e fiquei vendo o nome das capitais, a quantidade de gente que morava em cada lugar. Daí, quis saber tudo sobre o mundo onde eu vivia”, contou Vanessa. Além das capitais, Vanessa memorizou a área territorial, os nomes das moedas, além de índices sobre o PIB e fuso horário. E mostra também suas habilidades de cálculo quando propõe resolver contas de porcentagem, raiz quadrada e divisão.
Embora a pouca idade, Diego diz o quer ser quando crescer: jogador de futebol. Já a irmã diz que ainda tem dúvidas, pois gosta de geografia, economia e jornalismo.
Para o pai, Djalma Belarmino Siqueira, 40, as crianças são o maior orgulho de sua vida. Ele, a esposa e os dois filhos, vivem na casa humilde que construiu com as próprias mãos. Foi a própria Vanessa quem ensinou ao pai o mundo das letras e das contas, por meio da lousa pendurada no quarto dos filhos. Ali, além dos livros, há um computador e um globo terrestre.

Joildo Santos

Um comentário em ““Os geniozinhos de Paraisópolis”

  1. Vagner, gostaria que fosse revisse a informação apresentada no começo do texto, pois a mesma encontra-se desatualizada. A EMEF Paulo Freire não é mais “a pior escola” pois a nota do IDEB encontrava-se errada. A Direção entrou com recurso junto ao MEC e teve a nota revista. Caso queira, encaminho a você cópia da decisão favorável à U.E.

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