Paraisópolis e o Morumbi precisam substituir os muros por investimentos sociais

Paraisópolis e o Morumbi precisam substituir os muros por investimentos sociais

Pela imediata retomada da Virada Social em Paraisópolis

Diante da convocação de manifestação contra a violência para o próximo dia 28 de agosto pelo movimento SOS Morumbi, a União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis gostaria de contribuir com este debate.

Em 2011 comemoramos mais de 60 anos de existência da comunidade de Paraisópolis. O Estado, no entanto, só se fez presente aqui nos últimos anos, e ainda de forma insuficiente. A canalização de córregos, abertura e asfaltamento de ruas, a posse legal das casas que já morávamos há décadas, a regularização dos serviços de água e luz, só começaram a partir das obras de urbanização.

Temos cerca de 70% de nossa população com menos de 30 anos. No entanto não contamos com teatros, cinemas, espaços de lazer e esporte. A única escola técnica para atender uma comunidade de 100 mil habitantes, tem apenas 2 em cada 10 matriculados morando aqui, temos cerca de 5.000 crianças fora de creche e ainda a escola com a pior avaliação da cidade de São Paulo.

Apesar do imenso trabalho realizado pelo projeto Escola do Povo, que alfabetizou mais de 3 mil jovens e adultos, Paraisópolis ainda conta com 12 mil analfabetos, uma das maiores taxas do Brasil. O desemprego atinge uma grande parte desta juventude, e 90% dos empregados tem uma média salarial de 1 a 2 salários mínimos.  

Durante a realização da Operação Saturação da Polícia Militar em 2009, a comunidade de Paraisópolis, governo estadual e a prefeitura se uniram para transformar esta realidade e organizar a chamada “Virada Social”, que definiu 126 ações do Estado na comunidade, destas apenas 22 foram concluídas. Ações importantes como a construção de mais um CEU, mais uma ETEC, Clube-Escola, Centro de Educação Ambiental, CREAS, Parque Paraisópolis, CIC, Casa de Cultura entre outros, nunca saíram do papel.

No entanto, a “Virada Social” foi interrompida, e 83% das ações aprovadas e prometidas não foram executadas.

Nossos trabalhadores, estudantes e mulheres sofrem tanto ou mais com a realidade criticada pelo movimento SOS Morumbi. A solução para isso, no entanto não passa por aumentar o muro que divide o Morumbi de Paraisópolis, mas pela continuação imediata das ações da Virada Social e dos investimentos em educação, saúde, esporte e moradia. Afinal o que mais diferencia os jovens que moram em Paraisópolis daqueles que moram no Morumbi é a ausência de oportunidades iguais.

Ações pontuais, ditas “emergenciais” sozinhas não resolverão os imensos desafios que temos que vencer. Levando em consideração que todas as vezes que conquistamos algo foi unidos, e Paraisópolis e Morumbi estão diretamente ligados, contamos com o apoio e participação dos moradores do Morumbi para exigir que o Governo entre de fato nessa luta e retome imediatamente a Virada Social.

Problemas sociais se resolvem com políticas sociais e mais presença do poder público.

Gilson da Cruz Rodrigues
Presidente
União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis

Joildo Santos

4 comentários sobre “Paraisópolis e o Morumbi precisam substituir os muros por investimentos sociais

  1. Rapaz, moro na Vila Andrade há alguns meses. Antes, morava na Vila Madalena. Ouço o barulho vindo de Paraisópolis, principalmente aos finais de semana. Considerando que são 80 mil habitantes neste bairro, acho que são alguns poucos que desrespeitam o silêncio e devem incomodar, também, quem mora em Paraisópolis que, afinal, é parte do Morumbi. De qualquer forma, o PSIU funciona muito mal e demora a agir, digo com experiência. Na Vila Madalena, para onde vai gente da cidade inteira, inclusive moradores do Morumbi, ali sim meu sono era um inferno, os caras viravam a madrugada, tiver que colocar janelas anti-ruído, lacrar o apartamento.
    Então, penso que é preciso reclamar no PSIU do barulho, sem parar, como eu fazia na V. Madalena. O problema não é se é em Paraisópolis ou em outro lugar, nessa caso são alguns que não respeitam o sono dos outros

  2. Outro ponto, lamento muito que a Virada Social tenha sido interrompida. É a chance de fazer, definitivamente, que Paraisópolis ganhe status de “Vila Paraisópolis”. Li todo o projeto, achei excelente e penso que é preciso cobrar dos candidatos a prefeito um compromisso nesse sentido e, também, de iluminação melhor em todo o Morumbi. A segurança é do Estado. Esse tem que fazer a sua parte, que não faz há muito tempo. É preciso policiais, mais policiais e trabalho de inteligência. Tem bandido morando dentro e fora de Paraisópolis. Tem bandido morando em toda SP. Não dá para tolerar.
    Mudando de assunto, opinião pessoal: não dá para revitalizar Paraisópolis sem alargar várias de suas ruas, ainda que isso custe a remoção de local de mais algumas de suas famílias. Prevalece o coletivo, como nas desapropriações de casas para a passagem da L17 do Metro, que apóio. É preciso alargar e ARBORIZAR as ruas, integrando o “bairro” ao restante do Morumbi, o que valorizará muito as habitações da localidade, pois haverá harmonia e, ao menos na imagem, derrubará o “muro”.
    Acho que algum convênio com entidade do 3º setor viria bem a calhar, como SESC, SENAI, SESI. Vcs tentaram isso?
    ABc

  3. Prezado Gilson, Acho q. o objetivo do movimento SOS morumbí, já conseguiu muita coisa nesteas ultimos dias, mais policiamento na região e tb. toda esta discussão ora proposta por vcs. Concordo c/ o q. vc. diz, não queremos, numca quisemos excluir as comunidades da região muito menos o Paraisópolis, todos tem q. ser incluídos em um trabalho , ações muito maiores do q. só segurança, claro! e nós queremos abrir sim estas reuniões, conversas c/ todos. Sabemos um pouco q. vcs. tb. sofrem c/ a violência e tráfico dentro da comunidade, e temos certeza q. conseguiremos mudar este estado de coisa aqui na região.
    Boa-sorte.
    Att
    Paulo Leite

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