Paraisópolis se une a outras comunidades e promove manifestação a favor do monotrilho

Paraisópolis se une a outras comunidades e promove manifestação a favor do monotrilho

Tarde calorosa e noite tensa marcaram a manifestação que teve início na praça, em frente ao estádio Morumbi e terminou na Assembleia Legislativa

Da Redação
No último dia 31 de maio, foi dado mais um passo na luta pelo transporte coletivo de qualidade. Lideranças e associações da região se reuniram na praça Roberto Gomes Pedrosa para realizar uma manifestação pacífica, como forma de demonstrar às autoridades políticas e à sociedade a necessidade da Linha 17-Ouro, que servirá a milhares de moradores, que também devem ser considerados e ouvidos.
As palavras de Ana Flaviana de Paula, 73, representante de uma associação do Parque Santo Antônio, deixava bem claro essa necessidade: “Estou aqui para brigar pelos meus familiares e por todos aqueles que serão beneficiados com essa linha”, desabafou.

Governador Geraldo Alckmin recebe comissão favorável à construção da Linha 17 Ouro

Minutos depois, enquanto uma comissão formada por representantes das comunidades seguiam para o Palácio dos Bandeirantes para falar com o Governador Geraldo Alckmin, outros se dirigiram para a Assembleia Legislativa, onde o Deputado Federal Ricardo Izar (PSD-SP) e o Deputado Estadual Luiz Gondim (PPS-SP) esperavam receber três entidades, que são contra o projeto do monotrilho.
Após reunião com os líderes das comunidades, em entrevista coletiva, o governador deixou bem claro que as obras prosseguirão. “É importante lembrar que esse grupo de pessoas que estiveram aqui, é a favor desse projeto. Eles querem o monotrilho e, em contrapartida, há uma parte da sociedade que é contra”, explicou. O governador também alertou que uma etapa importante da obra é a fase de desapropriações e a continuação da obra da via perimetral, indicando que são de responsabilidade da prefeitura de São Paulo.
Gilson Rodrigues defendeu a aceleração da construção da Linha 17 Ouro

“Precisamos que a construção da Linha 17 seja acelerada e fique pronta o mais rápido possível, para que toda região possa sair do sufoco, que está nosso trânsito e os transportes. É o meio que temos assegurado neste momento, depois de muita luta e participação nas audiências públicas”, disse Gilson Rodrigues, líder comunitário de Paraisópolis, que estava presente na audiência pública para defender a construção da Linha 17 Ouro – Monotrilho.
Essa parcela contrária à construção do monotrilho a que se referiu o governador ficou surpresa com a presença de tantas pessoas que conseguiram ir para a audiência pública, embora não haviam sido convidados. A vontade de lutar por seus direitos foi expressa por meio de faixas, palavras de ordem e discursos.
“Somos favoráveis a que a região tenha mais corredores de ônibus, linhas de metrô, seja subterrâneo ou em via elevada, para melhorar a qualidade de vida da população, e que tenha mais tempo com nossas famílias. Nesse momento defendemos a construção do Monotrilho, pois é algo que já temos licitado, com recurso destinado e cumprindo todas as exigências ambientais, apesar de ter capacidade menor que o metrô subterrâneo, irá atender bem a região. Mesmo assim, vemos com bons olhos a possibilidade de novas linhas num futuro próximo para a região”, pontuou Gilson
Diante da surpresa pela mobilização daqueles que defendem a continuidade e aceleração da obra, alguns moradores demonstraram preconceito com aqueles trabalhadores que estavam ali se manifestando numa quinta-feira, numa audiência feita para dar voz a apenas aqueles que são contra o monotrilho. Integrantes desse grupo chegaram a afirmar coisas do tipo: “Quem avisou eles?”, “Essa é nossa audiência”, além de “Ficam mendigando o monotrilho, porque não tem educação, não tem casa, não tem nada”.
“Atuamos em parceria com muitas lideranças do Morumbi e sabemos que essas atitudes não expressam o que pensa os nossos vizinhos, mas sim, uma minoria, que deveria lutar para extinguir as desigualdades e não aprofundá-las. Já conquistamos muita coisa juntos, não é uma divergência pontual que deve fazer com que o respeito entre nós seja perdido.”, afirmou Joildo Santos, da União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis.

Enquanto isso, o Deputado Federal, Ricardo Izar, (PSD-SP), desconversava quanto ao ‘não convite’ às comunidades, que são a favor das obras do monotrilho, chegando a afirmar a lideranças de Paraisópolis que “só deu espaço para eles se manifestarem, porque quis”, sem conseguir disfarçar o desconforto pela pressão popular a favor da construção do monotrilho.
 

Joildo Santos

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