Cristina Josefa | Como lidar de forma positiva com a solidão

“A solidão é o único lugar que você pode expandir, onde escancaramos o que realmente somos”, disse Viviane Mosé. Quando li essa definição, logo me senti motivada a escrever sobre  esse assunto. Aliás, tudo conspirou.

Penso que não existe uma receita de como lidar com a solidão, mas há recursos. Às vezes, a vida nos leva até esse local, que diretamente nos remete à escuridão, frio, silêncio. Será que é só isso mesmo que a solidão nos reserva?

Fato da Vida Real

Numa determinada fase da minha trajetória emocional, me senti só. Aquele silêncio tenebroso, angustiante. Eu terminara um relacionamento de longa data; de  muitos anos. Na época, me senti perdida sem saber o que fazer com aquela nova rotina Aquele largo espaço vago de tempo, que chegara quase que subitamente arrancada quase que com fórceps?

Lá estava ela, a tal solidão: limpa, vasta, silenciosa. Os amigos se dissiparam. Aconteceu a chamada separação do joio e do trigo. Na época, poucos restaram. E você deve saber , os (as) solteiros (as) nem sempre são bem vindas em grupinhos de casais, em reuniões de amigos em comum. E como eu já não era a mais ‘legal’ do casal, fui excluída – de forma indireta,  é claro.

Foi assim que, aos poucos, resolvi encarar a solidão  de frente. Meu quarto, meu recinto. Meu travesseiro, o aparador do choro. Assim foi por um bom tempo. Vivi o luto.

Não foi rápida essa transição e, a meu ver, tem que ser no tempo necessário para esvaziar.

Digo que, a solidão, foi a matéria prima mais valiosa para transformar essa relação – antes trágica – numa relação favorável.

Troquei o cenário. Ativei o tão falado – e pouco vivido – amor próprio. Gerei uma nova forma de relacionar-me comigo. Aprendi a ouvir o tão valioso e transbordante silêncio. Comecei a entender e respeitar meus limites. A perceber meus pontos frágeis e, protegê-los.  E com isso, a entender mais o outro a ponto de liberar perdão de forma, não impositiva, mas natural.

A gente se desenvolve tanto nesse universo recluso e longe do todo!

Seja sua melhor companhia

Quando lidamos bem com a gente, fica fácil lidar de qualquer lugar.

Me aventurei em viagens comigo para lugares incríveis, como por exemplo: Península de Maraú, na Bahia, um verdadeiro santuário ecológico. São, aproximadamente 40 Km de praias praticamente desertas!

Cinema? Sozinha! Tornou-se quase um hábito.

Me auto encorajei. Me virei. Evolui. E nessa atmosfera, nasceu até a Colunista do Jornal Espaço do Povo.

Como escreveu Augusto Cury no seu livro Gestão da emoção: Muitos têm pavor da solidão, porém, não há criatividade sem que haja intimidade com ela.

Me reinventei, literalmente! Agora, não vivo mais sem mim! Soa até engraçado, mas não é. Muitos ainda têm uma recusa absurda nessa relação íntima com o seu Eu. Pois a solidão é local de recolhimento, aceitação de encarar os monstros e adestrá-los.

Digo que, às vezes, o caos é só um caminho disfarçado para conduzi-lo para este “ambiente” que precisa ser visitado, porém, que não iria acontecer de forma voluntária.

E, quem diria que um dia aquele choro resultaria num tema da coluna de jornal?

O mundo dá voltas! E voltas concretas, impactantes.

Joildo Santos