Cristina Josefa | O que aprendemos com o sofrimento

Todo esse crime trágico e doloroso que colocou parte de Brumadinho num “vale de lama” gera sofrimento em nós. E o sofrimento traz uma desordem dentro da gente. Com ela, o nosso oculto – aliás, um oculto desconhecido –  aflora. Um novo de nós surge e… reagimos.

Quebramos as paredes das nossas resistências. Surge o nosso lado forte que passa a ser quase palpável. Sentimos na pele a dor, que chega a ter som, cheiro, forma e nome. Unimo-nos.

Tornamo-nos irmãos. Vivemos o tão pregado: Ame a todos como a si mesmo. Desapegamos da matéria. Cultivamos a alma. Choramos juntos, abraçados e, aos poucos, vamos nos reerguendo juntos também.

As cicatrizes dividem-se e o sofrer vai sendo amortecido.  Não esqueceremos o fato e nem os laços que foram construídos. A re-construção leva tempo e as relações vão ganhando peso. A dor desestabiliza, choca, cala e, ao mesmo tempo, move, desenvolve, engaja, humaniza.

A empatia sai dos livros e passa a ser praticada. A solidariedade é exercitada em grande escala. A compaixão é vivida nas entranhas. O olhar sensível chora e reage em prol do outro. Damo-nos as mãos e dividimos o luto. Vivemos o amor na prática.

Joildo Santos