O bairro Jangurussu, localizado na Regional 9 de Fortaleza, é marcado por uma história de contrastes. Nascido a partir da ocupação de áreas próximas ao aterro sanitário da cidade por famílias de catadores, o território se desenvolveu em duas fases distintas. Inicialmente, os moradores trabalhavam em condições degradantes na catação de lixo, disputando espaço com ratos, urubus e insetos. O aterro, criado em 1978, recebeu resíduos de toda a capital por mais de 20 anos, tornando-se um dos maiores poluidores do rio Cocó e funcionando de forma precária, com lixo hospitalar e contaminado exposto a céu aberto.
Após pressão da comunidade, o lixão foi oficialmente desativado em julho de 1998, deixando 600 hectares cobertos de resíduos. A transição incluiu a criação de uma unidade de reciclagem pela Emlurb, que cadastrou catadores e ofereceu empregos formais, embora com retorno financeiro irrisório. Dos 600 trabalhadores do antigo lixão, 360 foram integrados à unidade de triagem. A tentativa de modernização enfrentou problemas de fiscalização e invasões, culminando em tragédias como a morte de um garoto de 10 anos esmagado por um trator.
Com a desativação do aterro, o bairro ganhou espaço para expansão e consolidação. A partir de 2005, transformações impulsionadas pelo Orçamento Participativo trouxeram melhorias como a construção de avenidas, sistema de transporte público eficiente e conjuntos habitacionais que acolheram famílias de áreas de risco. Em 2009, foram entregues os conjuntos São João e Maria Tomásia, acompanhados de melhorias na mobilidade urbana com novas linhas de ônibus conectando o bairro ao resto da cidade.
Atualmente, o Jangurussu é o bairro mais populoso de Fortaleza, com mais de 70 mil habitantes segundo o Censo de 2022. Em resposta aos altos índices de violência registrados na década passada, a região recebeu em 2014 o Cuca Jangurussu, equipamento voltado para inclusão artística e esportiva de jovens entre 15 e 29 anos. O espaço teve adesão imediata, com cerca de 3.500 jovens frequentando mensalmente o local entre 2014 e 2015. Além do Cuca, o bairro conta com outros espaços culturais como a Casa de Cultura Jangurussu e o Centro Integrado Sociocultural Ser Arte, consolidando-se como relevante polo de produção cultural da capital cearense.
