📜 Memórias de Paraisópolis

1950 Relato

Antônio Franco de Oliveira Preto, o Índio

📅 1956

“Meu nome é Antônio Franco de Oliveira Preto, mas aqui na comunidade sou conhecido como índio. Me chamam assim porque quando eu cheguei em Paraisópolis, em 1956, minha casa era de barro e era tudo mato por aqui, e como sou descendente de índio, o apelido ficou.

Nós viemos de Águas de Lindóia. Lá meu pai era charreteiro e fora da temporada de férias as condições eram fracas. Aqui meu pai trabalhou com jardinagem e também na construção da rampa do Cemitério do Morumbi.

Em Paraisópolis tinha muito mato e várias chácaras. Tinham alguns currais de vaca também. Trabalhei no sitio do ‘Paulo Cabral’, eu acordava quatro e meia da manhã pra tirar o leite da vaca e às seis horas colocava na carroça pra entregar no Brooklin, Santo Amaro e Chácara Santo Antônio.

Os únicos comércios que tinham aqui eram uns barzinhos de madeira. O supermercados eram no Morumbi e na Vila Sônia. A gente pegava o carrinho de mão pra trazer as compras porque pra entregar tinha que comprar mais quantidade pra compensar a gasolina.

O comércio aqui começou a melhorar em 1970, aí começaram a aparecer os mercadinhos do Louro e do Luis Caboclo, que era lá embaixo, e eram os únicos mercados que tinham aqui. A gente podia comprar fiado pra pagar de 15 em 15 dias.

Aos domingos, na parte da tarde, a gente ia caçar preá e servia como mistura. Nós usávamos estilingue para caçar. Eu e meu colega costumávamos ir tomar banho num lago que ficava onde hoje é o Supermercado Extra, lá era uma chácara de italianos e a gente tomava banho na lagoa que nós chamávamos de “Azuzinha”.

Nas festas de São João a gente fazia fogueira e assava batata doce e milho verde. Gostávamos de soltar fogos para comemorar. Era muito gostoso porque reunia a família e os amigos. Eu sinto muita saudade, como eu queria que aquelas coisas voltassem.

Era muito gostoso, mesmo com as dificuldades. A gente podia brincar até altas horas da noite. As crianças hoje não têm a infância que eu tinha naquele tempo, eles não sabem o que é subir num pé de fruta.”

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Antônio Franco de Oliveira Preto
Morador desde 1956

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