Bancos ampliam presença em favelas

Da Folha de São Paulo 24/05/2010

Bancos ampliam presença em favelas
Com renda em alta e desemprego em queda, estratégia é se aproximar de pessoas com menor poder aquisitivo
Santander planeja abrir unidade no Complexo do Alemão (RJ), e o Bradesco, dois pontos em Paraisópolis (SP)
CLAUDIA ROLLI
DE SÃO PAULO
A necessidade de chegar perto do consumidor de menor renda levou os bancos, a exemplo do que já fizeram redes varejistas, a abrir pontos de atendimento nas maiores favelas de São Paulo, Rio de Janeiro e periferia de Brasília.
A estratégia deu certo e ao menos duas instituições já estudam ampliar o atendimento a esses clientes em comunidades de grande densidade populacional.
O Bradesco, que no ano passado abriu agência na favela de Heliópolis (zona sul de SP), onde moram 120 mil pessoas, planeja agora construir dois pontos de atendimento na favela de Paraisópolis (zona sul). A primeira comunidade atendida foi a da Rocinha (zona sul do Rio).
O Santander estuda construir uma agência no Complexo do Alemão (zona norte do Rio). A abertura está prevista para este ano.
“Com o aumento da renda e a queda do desemprego, a mobilidade social fica cada vez visível no país. A Classe D deve gastar neste ano mais do que as C e D juntas”, diz Odair Afonso Rebelato, diretor-executivo do Bradesco.
“O aumento real do salário mínimo tem impacto na renda dessas pessoas, que têm anseios e precisam ser atendidas”, acrescenta.
Pesquisa feita há dez anos pelo Bradesco com 3.300 pessoas (com renda individual inferior a R$ 800) mostrou que 73% consideravam essencial ter conta-corrente, e 11%, cartão de crédito.
Atualizada a pesquisa, hoje, para 73%, é essencial ter cartão de crédito e 90% querem consumir mais.
No Santander, os serviços mais usados pela baixa renda ainda são cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. Mas seguros de imóveis e pessoais e produtos que garantam a educação dos filhos (como Prev Educar) já começam a atrair o cliente de baixa renda.
“É um consumidor exigente, que sabe escolher. Como o dinheiro que dispõe é limitado, não pode errar”, diz Walter Rinaldo, do segmento de pessoa física do Santander.
Os bancos públicos já preparam serviços personalizados para esses clientes, como gerentes de contas específicos. Um dos projetos é criar uma central de atendimento telefônico (telemarketing) para que um gerente atenda vários clientes.
BARCO
A baixa renda das demais regiões do país também está na mira dos bancos. Em dezembro, o Bradesco criou agência no barco Voyager III, que já funcionava como mercado para 210 mil ribeirinhos que moram entre Manaus e Tabatinga (AM).
O barco mudou a cara de Belém de Solimões. “Montei uma venda em casa e reformei o local com empréstimo de R$ 6.000. A casa virou correspondente bancário. Hoje, muitos aposentados não precisam ir oito horas de barco para buscar o benefício do INSS”, diz Lucila Tananta.

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