Rádio Comunitária de Paraisópolis dá seus primeiros passos

Originalmente publicado no Blog Mural da Folha.com

Por Mayara Penina
“Depois de muita burocracia e de um processo bastante turbulento, conseguimos a concessão da Rádio Nova Paraisópolis”, comemora Joildo Santos, articulador, operador de som, editor e “faz tudo” da rádio.
A Nova Paraisópolis FM (frequência 87, 5) foi inaugurada no dia 6 de agosto de 2010, mas o movimento para a legalização de uma rádio no bairro acontece há pelo menos 11 anos. Antes existiu uma emissora não legalizada, que era muito conhecida e ouvida na comunidade, mas foi fechada pela Polícia Federal.
Os estúdios da rádio ficam no segundo andar da sede da União dos Moradores de Paraisópolis. Todos os aparelhos são fruto de doações de moradores e empresas privadas. O raio de alcance da antena ultrapassa um quilômetro, o suficiente para abranger toda a extensão da comunidade e arredores do Morumbi.
Para marcar sua estreia, o prefeito Gilberto Kassab foi sabatinado ao vivo por líderes comunitários, que o questionaram sobre problemas como a falta de creches e de opções de lazer para a juventude.
De lá para cá, outras autoridades foram entrevistadas, entre elas, o ex- presidente Lula. Confira aqui a entrevista concedida por ele. A atual presidente Dilma Roussef também já visitou a rádio.
Paraisópolis tem mais de 100 mil habitantes. Dentro do próprio bairro há muitas realidades e preocupações diferentes. Em uma região, o problema é o trânsito, em outra é o barulho e assim por diante.
“Só uma rádio voltada para a comunidade para conseguir tratar de temas tão locais e fazer com que os moradores se sintam retratados”, explica Santos, enquanto atende vários telefonemas de ouvintes pedindo músicas.
Uma das locutoras, a cantora Lindalva Silva, dedica diariamente quatro horas para comandar um programa de música sertaneja. “Se eu não estivesse aqui, eu estaria em casa, então eu venho para cá fazer o que sei e o que gosto de fazer. Ninguém pode ter dúvidas que isso é feito com muito carinho, já que eu não recebo salário para estar aqui”, explica.
Joildo conta que, como articulador, trabalha para que as pessoas do bairro se unam e um dia, a rádio funcione sozinha, sem ele. “As coisas já estão caminhando para que isso aconteça. Nosso início foi um processo muito rico, muitos começaram a fazer programas e pararam. Mas aos poucos fomos aprendendo”, diz.
Além da rádio, há outros veículos de comunicação locais como o Jornal Espaço do Povo e a Revista Nova Paraisópolis e o Jornal Paraisópolis News, que trabalham para a reivindicação dos direitos dos moradores como a construção do metrô.
Hoje, a rádio Nova Paraisópolis conseguiu se estabilizar e mantém 14 horas de programação diária, alternando entre programas musicais e de serviços, todos comandados por moradores.
O mestre de obras Gilson da Silva gosta mesmo é de ouvir a música de artistas locais e saber dos serviços e eventos que estão acontecendo no bairro. “É legal também ouvir pessoas que moram aqui”, afirma.
Para quem não está em Paraisópolis e quer ouvir a rádio pela internet, acesse aqui.

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