Segunda maior favela de SP, Paraisópolis ganha uma orquestra sinfônica

A favela de Paraisópolis, a segunda maior de São Paulo, na zona sul, terá sua primeira orquestra sinfônica.
“Na verdade, são orquestras sinfônicas, no plural. Vamos formar vários grupos”, diz o maestro Paulo Rydlewski, um dos autores do projeto, que será anunciado perto do 63º aniversário da comunidade, no dia 16, durante uma semana de eventos.
Pela ideia, batizada de “Música no Paraíso”, o CEU local abrigará aulas e ensaios. A previsão é que quase 500 crianças e adolescentes, entre seis e 17 anos, tenham aulas de história da música e aprendam a tocar instrumentos de orquestra. Os melhores passarão a se apresentar nos concertos.
Também foi planejada a criação de dois corais, um juvenil e também um adulto, para envolver os parentes dos aprendizes.
O subsídio virá com ajuda do contribuinte. O Ministério da Cultura autorizou a empresa cultural do maestro Rydlewski, a Opera Sports, a captar R$ 815 mil para o projeto, por desconto em Imposto de Renda dos patrocinadores. “Conversas com patrocinadores estão avançadas. Acho que logo vai ter um monte de gente querendo apoiar”, diz o regente.
Cerca de 30% do orçamento deverá garantir, por um ano, a folha de pagamento do projeto. Serão 15 professores de música, além do maestro. Vagas administrativas deverão ser preenchidas por moradores. Uma verba complementar, de cerca de R$ 200 mil, foi solicitada ao Ministério da Cultura para subsidiar lanches, que também deverão ser produzidos por uma oficina-escola da comunidade.
Paraisópolis é o bairro líder de desemprego da capital e está em sua região menos escolarizada, segundo o instituto de pesquisa Datafolha. São quase 17,2 mil imóveis -na maioria, de tijolos- cercados por prédios de classe média ou alta dos bairros próximos, como o Morumbi.
A maior favela da cidade, Heliópolis, com 18 mil imóveis, tem sua orquestra desde 1996. Criado por Silvio Baccarelli, o grupo se apresentou para o papa Bento 16 na catedral da Sé, em 2007, nos teatros municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, entre outros eventos, como um jogo da seleção brasileira de futebol.

Da Folha de São Paulo

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