Sucata se transforma em arte em Paraisópolis

 
Do Blog Mural

Por Vagner de Alencar @vagnerdealencar
Quando a bicicleta motorizada de Berbela percorre as ruas de Paraisópolis, não há quem não pare para vê-la passar. O veículo impressiona com o tamanho e singularidade. O que era uma bicicleta comum ganhou adereços e se transformou praticamente num carro alegórico que ilumina as vias da comunidade quando um dos maiores artistas resolve passar.
Antônio Edinaldo da Silva é conhecido em Paraisópolis por “Berbela” _nome também dado ao veículo criado em 2002. A arte na vida desse pernambucano teve início após o passeio que fez com a família ao parque do Ibirapuera, assim que pisou na “terra da goroa” há uma década. O filho mais velho queria uma bicicleta “diferente”, como as que viu no passeio. Como não tinha condição financeira para presentear o primogênito, Berbela decidiu criar uma “bicicleta” para o garoto; e no estacionamento, onde paga o aluguel do cômodo que funciona como uma oficina de solda, ele deu início à sua criação artística.
Qualquer tipo de sucata se torna arte nas mãos dele. Velas de carro, parafusos, escapamentos de moto, pneus… são transformados em baratas gigantes, escorpiões, lacraias, centopeias, abelhas e até nos cantores da banda Calypso, Joelma e Chimbinha. “Eu fiz primeiro o Chimbinha. O povo ficou insistindo até que fiz a Joelma também. Ela ficou um pouco descabelada, mas tudo bem”, brinca. E sem nenhum pudor ele revela a paixão pelo que faz: “Às vezes, estou aqui e até falo com os bichos. Eu não tenho estresse. Faço pintura para não eles enferrujarem. É assim, eu não gosto de ver minhas coisas maltratadas”.
As histórias saem de sua boca naturalmente e, assim, ele vai contando suas peripécias com as bicicletas motorizadas.
As brigas com a mulher tornaram-se habituais. Como não tinha espaço para colocar as miniaturas de animais na oficina, ele decidiu levá-las para casa, o que causou confusão em casa. “No começo, ela achava estranho. Me chamava até de abestalhado, de doido”, diz.
A oficina não cresceu de tamanho, mas as esculturas aumentam a cada dia. Embora tenha de enfrentar as adversidades da comunidade como todos os outros moradores, Edinaldo não se vê morando em outro lugar. “Mais vontade eu tenho de fazer outras coisas. Só Deus pra me empatar”, confessa.

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